Resultados do Mapeamento Topográfico Subaquático da Lagoa Misteriosa – Jardim, MS

Descrição dos resultados da expedição realizada em Agosto de 2008 para mapeamento da cavidade inundada da Lagoa Misteriosa. Mapeamento Topográfico Subaquático do atrativo.

Resultados do Mapeamento Topográfico Subaquático da Lagoa Misteriosa - Jardim, MS
Foto: Tuta Barroco – Mapeamento da Lagoa Misteriosa

O projeto de Mapeamento Topográfico Subaquático da Lagoa Misteriosa teve como objetivo primário a topografia até os setenta metros de profundidade da caverna, contemplando assim apenas o trecho da Lagoa Misteriosa que será mais visitado pelos mergulhadores, e permitindo o total reconhecimento do ambiente que será visitado e o bom planejamento dos mergulhos.

Os dados relativos às profundidades coletados por Gilberto Menezes entre os anos de 1995 e 1998 sofreram uma alteração da ordem de 3,6 metros para menos em relação aos dados coletados durante a Expedição Lagoa Misteriosa Topo 2008, que teve seu trabalho de coleta de informações ocorrido no período de 12 a 31 de agosto de 2008.

O mapeamento foi realizado para compôr a série de estudos que compõem o PLANO DE MANEJO ESPELEOLÓGICO DE CAVERNAS ALAGADAS – ATIVIDADES DE MERGULHO AUTÔNOMO proposto pelo MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, INSTITUTO CHICO MENDES através do CENTRO NACIONAL DE ESTUDO, PROTEÇÃO E MANEJO DE CAVERNAS – CECAV.

“O Plano de Manejo Espeleológico – PME destina-se a disciplinar o acesso e uso do Patrimônio Espeleológico para fins turísticos, esportivos, científicos, recreativos e educacionais, bem como estabelecer condições exeqüíveis de planejamento para orientar as intervenções previstas, de forma a produzir o menor impacto possível. No caso específico de cavernas com potencial para a prática de mergulho autônomo, o Plano de Manejo Espeleológico possui o objetivo de orientar a atividade e estabelecer regras para que sua execução ocorra de forma segura para o mergulhador e compatível com a manutenção da integridade do ambiente cavernícola.” (CECAV, s/d)

A Expedição de mapeamento Lagoa Misteriosa Topo 2008 foi realizada pelo TEMA – Time de Exploração e Mapeamento de Cavernas Subaquáticas, e coordenada pelo mergulhador Profissional José L. Barroco Neto (Tuta): tutabarroco@ig.com.br

Plano de Manejo Espeleológico da Lagoa Misteriosa

Plano de Manejo Espeleológico da Lagoa Misteriosa
Mergulhador na Lagoa Misteriosa

Com o objetivo de nortear o desenvolvimento das atividades turísticas e a proteção do ambiente natural da Lagoa Misteriosa foi concluído nesse mês o Plano de Manejo Espeleológico, que teve sua elaboração iniciada no ano de 2005 com a coleta de dados e diagnósticos realizados em campo. O Plano de Manejo Espeleológico é o principal documento para o licenciamento ambiental da visitação turística em cavidades naturais.

Através dos estudos a equipe de coordenação responsável pelo Plano de Manejo definiu as diretrizes para a gestão da área, para as atividades turísticas a serem desenvolvidas, e para as atividades de manejo prioritárias. O resultado desse processo foi o estabelecimento dos objetivos específicos de manejo, que nortearam o desenho do zoneamento e a elaboração dos programas e projetos deste plano.

Dividido em quatro partes, o Plano aborda os seguintes tópicos:
Caracterização do Empreendimento e Regional;
Diagnóstico Ambiental; Manejo,
Descrição das Atividades Turísticas e Planejamentos;
Referências, Apêndices e Anexos.

Os responsáveis pelo Plano são: na Coordenação – Hamilton de Menezes Fernandes e Sandro Marcelo Scheffler; na Supervisão Geral: Eduardo Folley Coelho e Luiza Spengler Coelho; e na Equipe Técnica: Ana Cristina Trevellin, Angela Pellin, Hamilton de Menezes Fernandes, Jose L. Barroco Neto, José Sabino, Liliana Rodrigues, Luciana Paes de Andrade, Luiz Fornazzari Neto, Maria Antonietta Pivatto, Samuel Duleba, Sandro Marcelo Scheffler, Vivian R. Baptista-Maria e William Marcos da Silva.

O Plano de Manejo da Lagoa Misteriosa foi o primeiro Plano de Manejo Espelológico de cavidade turística aprovado pelo CECAV – Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Cavernas em 2010.

Segue abaixo algumas informações contidas no Plano de Manejo Espeleológico da Lagoa Misteriosa:

A Cavidade Natural Lagoa Misteriosa (MS-043) * é de origem freática situada no fundo de uma dolina – depressão circular formada pelo abatimento do solo em regiões de rochas carbonáticas (mármores, calcáreos). Assim, a cavidade é formada pelas águas subterrâneas que afloram à superfície formando um lago central de águas carbonatadas e límpidas com grande desenvolvimento vertical.

A Lagoa Misteriosa é considerada uma das mais profundas cavernas inundadas do Brasil, atingindo mais de 220 metros de coluna d`água. Na lista das cavernas com os maiores desníveis da Sociedade Brasileira de Espeleologia – SBE (2009) a Lagoa Misteriosa figura em sétimo, com a profundidade atualmente conhecida de 220 metros.

A fazenda denominada Lagoa Misteriosa, onde está situada a cavidade, possui uma área de 50,0769 ha. Diagnósticos identificaram uma diversidade de fauna e flora relevantes, a ocorrência de fenômenos interessantes como a floração algálica, que ocorre todos os anos, e evidenciaram as características geológicas e geomorfológicas particulares desta área.

Essas características, associadas à beleza cênica do local, conferem a Lagoa Misteriosa um grande potencial turístico, tanto para contemplação, quanto para a flutuação e mergulho com cilindro, e até mesmo para arborismo e tirolesa. No entanto, devido a sua fragilidade e características únicas, a realização de qualquer atividade deve ser precedida de estudos de viabilidade ambiental e embasada em um planejamento adequado.

No caso de uma cavidade, segundo o “Termo de Referência para o Plano de Manejo Espeleológico de Cavernas com Atividades Turísticas”, elaborado pelo CECAV/ICMBIO (Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas/ Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o Plano de Manejo Espeleológico deve ordenar um conjunto ou uma estrutura de informações ambientais que se destinam a disciplinar o processo de acesso e uso do patrimônio espeleológico para fins turísticos ou científicos, bem como estabelecer condições reais de planejamento para orientar as intervenções previstas para a área, de forma a produzir o menor impacto possível.

A resolução CONAMA nº 347, de 10 de setembro de 2004, que dispõe sobre a proteção do patrimônio espeleológico, define Plano de Manejo Espeleológico como o documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais da área, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da cavidade natural subterrânea.

*A cavidade Lagoa Misteriosa está cadastrada no Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil – CNC da SBE – Sociedade Brasileira de Espeleologia sob o número MS-043.

O mistério das águas da Lagoa Misteriosa

Alguns anos atrás tivemos conhecimento de uma proposta, supostamente técnica, garantindo a permanente transparência das águas da Lagoa Misteriosa/Jardim-Bonito-Serra da Bodoquena/MS, ou seja, não haveria mais o periódico turvamento da camada líquida mais superficial, na época atingindo 18 a 20 metros de profundidade, coincidentemente nos meses de verão, portanto com maior fluxo de turistas. A necessidade desse trabalho seria oferecer aos mergulhadores e observadores de superfície a comodidade de ter-se sempre uma total transparência nessas águas, isso a qualquer época do ano.

O mistério das águas da Lagoa Misteriosa
Vista externa da Lagoa Misteriosa

Ficamos preocupados com essa proposta, visto estarmos já algum tempo estudando a dinâmica comportamental, no aspecto biogeoquimico, desse sistema aquático. Porém o alarde maior foi quanto ao perigo de se perder o interessante PORQUE da Lagoa Misteriosa, com relação a esse periódico turvamento, utilizando-se interessadamente de processos físicos e químicos artificiais, com o lançamento criminoso de produtos químicos (sulfatos) e aplicação de processos reguladores da temperatura da água.

Ora bolas, para nós isso seria alterar totalmente as originais características biogeoquímicas desse sistema natural aquático, por isso mesmo chamado de Lagoa Misteriosa, desde áureos tempos, sem antes conhecer e valorizar-se o maravilhoso e não tão misterioso processo da ocorrência normal e periódica do turvamento na camada mais superficial da massa líquida, justamente nos períodos de elevação de temperatura ambiente. Isso mesmo, ocorrência natural, considerando-se os aspectos biogeoquímicos da mesma.

Outro ponto que levantamos foi de observar-se um gradativo e preocupante aumento na profundidade da camada superficial que se turvava. Na ocasião, media-se a partir da superfície, uns 18 metros, notando-se um aumento gradativo dessa profundidade.

Vejamos então,…espera ou esperava-se quando em processo biogeoquímico ou dinâmica natural desse sistema, a dependência aos fatores climáticos da região, em especial o seu regime hidrológico, compartilhado com o regime pluviométrico, as específicas médias na temperatura ambiente, apontando-se a influência do entorno da referida lagoa (Lagoa Misteriosa), cercada primariamente, (anteriormente) por vasta vegetação, além da típica pressão atmosférica e altitude local e dos deslocamentos dos ventos barrados parcialmente pela composição arbórea primitiva, no seu entorno, etc. Tudo isso aliado as particulares características geomorfológicas da área e do comportamento hidrológico aos quais estava relacionada com toda a região.

O mais importante seria a referência e dependência da alta presença de formações carbonáticas, orientando a elevada alcalinidade e dureza das águas, com a formação de compostos facilmente solúveis, como os bicarbonatos, constantemente alternados com os insolúveis carbonatos e hidróxidos, o que mantinha suas águas num pH mais elevado (alcalino), desacelerando os processos de dissolução e decomposição da matéria orgânica, por ora ali lançadas. Tal processo facilitava ou facilita a rapidíssima deposição desse material orgânico, garantindo a maior transparência nas águas, isso por serem aglutinados, ou melhor, adsorvidos pelas particular minerais, acarretando o maior peso das mesmas e então por gravidade uma maior velocidade de deposição. Daí a rapidez da volta à transparência das águas.

Em águas de “pH” pouco mais elevado, formam-se na superfície das finíssimas partículas de areia, de silte, de argila ou mesmo partículas orgânicas as “cargas externas, positivas e/ou negativas”.As partículas com cargas superficiais positivas, então nos carbonatos e hidróxidos, sofrem atração ou atraem as partículas de cargas superficiais negativas, essas formadas nos dispersos orgânicos e coloidais. Como se diz: cargas contrárias se atraem e se agregam.Com isso tem-se a “neutralização das cargas externas” e pelo aumento do peso dessas finíssimas partículas agrupadas, tem-se uma velocidade maior de decantação ou sedimentação, conferindo assim à total ou quase total transparência nas águas. Esse fenômeno ocorre por menores que sejam as partículas.

Mas isso não estava ou esta ocorrendo, visto quando da alteração na temperatura ambiente, influindo primeiramente na temperatura da camada mais superficial dessa massa líquida, ou melhor, na elevação dessa por uma maior incidência dos raios solares. É a quebra da natural dinâmica comportamental acima descrita, justamente durante o período de maior calor, ou seja, coincidentemente no período de verão, ou ainda no período de maior fluxo e procura dos turistas ou megulhadores. O fato é ou era que, todo o espaço de entorno da Lagoa Misteriosa, sofreu ou vem sofrendo intenso processo antropogênico, (derivado de atividades humanas), como a derrubada da vegetação e abertura de campos.

Tem-se com isso: a maior incidência dos raios solares; a elevação da temperatura; a falta de zonas ou espaços sombreados; a alteração dos processos biogeoquímicos; a formação e permanência num tempo maior das partículas carbonáticas (Ca/MgCO3) flutuando; a não ocorrência ou diminuição na formação dos adsorvidos minerais/orgânicos, acarretando um tempo maior para que os mesmos sofram deposição, por estarem mais leves ou menos pesados, a princípio.

Ou seja, esse transtorno foi simplesmente acarretado pelo aumento da temperatura nesse micro clima ou ambiente específico. Daí o aparecimento e formação cada vez maior da uma camada superficial líquida, cada vez mais turva e mais profunda.

A solução sugerida na época foi aumentar e preservar a densidade arbórea junto ao entorno da Lagoa Misteriosa. Simples não!

Autor: Professor Helcias Bernardo de Pádua
Biólogo-C.F.Bio 00683-01/D; Conferencista em “Qualidade das águas”; Especialista em Biotecnologia-C.R.Bio 01; Analista Clínico – Hosp.Clínicas SP; Professor de Biologia e Ciências-L-94.718-DR 5 – MEC, desde 1975; Consultor, professor e colunista; Memorista-AGMIB/Assoc. Grupo de Mem. do Itaim Bibi/SP; Graduando em Jornalismo/FaPCom

Lagoa Misteriosa é citada na revista Mergulho

A Revista Mergulho do mês de outubro de 2010 trouxe uma reportagem especial intitulada “Rebreathers em Bonito”. Os mergulhadores Anderson Lemos, Eduardo Valensia, Fabio Amoroso, Hilmar Becker e José Ventura relataram a experiência da expedição de mergulho com rebreathers nas cavernas do Buraco das Abelhas, na nascente do Taquaral e na Lagoa Misteriosa, em Jardim (MS).

Confira abaixo um trecho da reportagem:

“Os mergulhos foram, como esperado, espetaculares… a profundidade máxima atingida na nascente do Taquaral foi de 15 metros. Apesar da boa visibilidade, a caverna apresenta uma grande quantidade de partículas que repousam no fundo e nas paredes. O mergulho nesta caverna é recente e seu potencial ainda não foi avaliado….”

Lagoa Misteriosa é citada na revista Mergulho
Lagoa Misteriosa: vista externa
Lagoa Misteriosa é citada na revista Mergulho
Mergulhadores da expedição saindo da água na Lagoa Misteriosa
Lagoa Misteriosa é citada na revista Mergulho
Mergulhador com rebreather saindo da água
Lagoa Misteriosa é citada na revista Mergulho
Grupo da Expedição no Receptivo do Rio da Prata

“Já a Lagoa Misteriosa dispensa muitas apresentações; é um clássico do mergulho em Bonito…A visibilidade era de pelo 40 metros com uma temperatura de 25ºC… Esta caverna está em fase de licenciamento após ter sido concluído o seu plano de manejo espeleológico para atividades de mergulho e, em breve, deve ter a sua Licença de Operação…”

“O Buraco das Abelhas é na verdade uma abertura de um rio subterrâneo, contendo uma ressurgência e uma insurgência… Assim que alcançamos o nível da água nos deparamos com um salão, que nesta estação, está seco e se desenvolve por alguns metros até um curto sifão…”

Os mergulhos foram realizados com a Autorização CECAV Nº 005/2010.

Com informações Revista Mergulho.

Confira a matéria na íntegra na Revista Mergulho nº171.

Lagoa Misteriosa sedia curso de mergulho em caverna com autorização do CECAV

A Lagoa Misteriosa foi sede no mês de Junho de 2010 de treinamentos e curso de mergulho em caverna, ministrados pelo mergulhador profissional José L. Barroco Neto (Tuta).

O atrativo turístico Lagoa Misteriosa, localizado em Jardim (MS), próximo ao Rio da Prata, sediou durante o mês de junho de 2010 treinamentos e curso de mergulho em cavernas, ministrados pelo mergulhador profissional José L. Barroco Neto (Tuta).

Lagoa Misteriosa sedia curso de mergulho em caverna com autorização do CECAV
Instrutor Tuta e alunos se preparando para os mergulhos. Foto: Tuta Barroco.

Os treinamentos foram realizados com a autorização do Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas – CECAV – para atividades de espeleomergulho Nº 003/10.

De acordo com o mergulhador Jose L. Barroco Neto (Tuta), o objetivo primordial dos cursos foi formar os mergulhadores locais capacitando-os a trabalharem como guias e instrutores nas cavernas de mergulho que obtiverem suas licenças de operação.

O primeiro curso Cavern Diver/ Intro Cave Diver aconteceu no dia 05 de junho e foi ministrado por Jose L. Barroco Neto (Tuta), assistente Adriana B. Castro. Os mergulhos realizados nesse dia foram não descompressivos e feitos com ar até a profundidade máxima de 30 metros.

No dia 16 de junho foi a vez do curso Full Cave Diver. Participaram desse treinamento o funcionário da Bonito Scuba, Alex Porto e Ederson Aivi, do Abismo Anhumas. Os mergulhos foram descompressivos, feitos até a profundidade máxima de 40 metros utilizando ar como gás de fundo e oxigênio para a descompressão.